Países ricos já garantiram 1 bilhão de doses da vacina contra a Covid-19, e oferta mundial corre risco de ser monopolizada

3 de agosto de 2020 | _
A médica pediatra brasileira Monica Levi, uma das voluntárias que receberam a vacina para Covid-19 Foto: NELSON ALMEIDA / AFP/24-07-2020

Embora grupos internacionais e vários países prometam tornar imunizantes acessíveis a todos, doses provavelmente terão dificuldades para acompanhar a demanda em um mundo de quase 7,8 bilhões


Os países ricos já bloquearam mais de um bilhão de doses de vacinas contra o coronavírus, levantando preocupações de que o resto do mundo esteja na parte de trás da fila no esforço global para derrotar o patógeno.


As medidas dos EUA e do Reino Unido para garantir suprimentos da Sanofi e da parceira GlaxoSmithKline Plc, e outro pacto entre o Japão e a Pfizer, são as últimas de uma série de acordos. A União Europeia também tem sido agressiva na obtenção de vacinas, muito antes que alguém saiba se elas irão funcionar.


Embora grupos internacionais e várias nações estejam prometendo tornar as vacinas acessíveis a todos, as doses provavelmente terão dificuldades para acompanhar a demanda em um mundo de aproximadamente 7,8 bilhões de pessoas. A possibilidade de os países mais ricos monopolizarem a oferta, um cenário que ocorreu na pandemia da gripe suína de 2009, alimentou preocupações entre os países pobres e os defensores da saúde.


Até agora, os EUA, Reino Unido, União Europeia e Japão garantiram cerca de 1,3 bilhão de doses de potenciais imunizações contra a Covid-19, de acordo com a empresa de análise de Londres Airfinity. Opções para comprar mais suprimentos ou acordos pendentes adicionariam cerca de 1,5 bilhão de doses a esse total.


— Mesmo que você tenha uma avaliação otimista do progresso científico, ainda não há vacinas suficientes para o mundo — afirmou Rasmus Bech Hansen, diretor executivo da Airfinity. — Também é importante considerar que a maioria das vacinas pode exigir duas doses.


Alguns pioneiros na busca pela vacina, como a Universidade de Oxford, sua parceira AstraZeneca, e a colaboração Pfizer-BioNTech já estão em fase final de estudos, alimentando esperanças de que uma arma para combater a Covid-19 estará disponível em breve.