Um terço de enfermeiros mortos por covid-19 no mundo são brasileiros

17 de junho de 2020 | _

O Brasil atingiu as 208 mortes de profissionais de enfermagem, nestes 87 dias, desde o primeiro óbito relatado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em 20 de março. Três em cada dez óbitos são de profissionais brasileiros, segundo levantamentos do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Internacional de Enfermagem (ICN). 65% são mulheres relativamente jovens, com prevalência da faixa etária de 40 a 60, muitas delas com comorbidades, que não deveriam estar em contato com casos suspeitos de covid-19.

Segundo o ICN, mais de 230.000 profissionais de saúde contraíram a doença e mais de 600 enfermeiros já morreram pelo vírus. A análise da ICN mostra que, em média, 7% de todos os casos da Covid-19 em todo o mundo estão entre os profissionais de saúde, o que significa que os enfermeiros e outras equipes correm grandes riscos pessoais, assim como os pacientes de que cuidam.

O Brasil hoje é o primeiro país do mundo em mortes de profissionais de enfermagem, superando os Estados Unidos, Espanha e Itália juntas.

“A enfermagem está parecendo um dos trabalhos mais perigosos do mundo no momento. Precisamos obter esses dados para cada país e descobrir exatamente o que está acontecendo, o que explica as variações que são evidentes, mesmo com uma rápida olhada nos números. Somente então seremos capazes de aprender a melhor maneira de manter nossas enfermeiras seguras e impedir qualquer repetição dessas terríveis estatísticas no futuro”, diz o CEO da ICN, Howard Catton.

“A morte destas profissionais indica descaso do poder público com as condições de trabalho e de assistência à Saúde. Recebemos e fiscalizamos mais de 5 mil denúncias, a maior parte delas referentes à escassez e inadequação dos equipamentos de proteção individuais (EPIs)”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri. A falta de treinamento adequado também acaba sendo um agravante.

Em todo o país, já foram reportados 19.649 casos suspeitos ou confirmados de profissionais de enfermagem contaminados pela covid-19. Destes casos, 85% eram de mulheres.