Saída de Moro causa queda em bolsa, alta do dólar e protocolos de impeachment de Bolsonaro no Congresso

24 de abril de 2020 | _
Com a saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, do governo, a Bolsa de Valores de São Paulo intensificou as perdas nesta sexta (24) e chegou perto de acionar o ‘circuit breaker’, mecanismo que suspende as negociações.

Em 1 dia marcado pelo cenário político tenso, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, já começou o dia em queda, nos 79 mil pontos. O índice continuou a se deteriorar rapidamente pela manhã e às 12h22, chegou a recuar 9,58%, aos 72 mil pontos, no menor valor do dia.

A cotação do dólar repercutiu a tensão política de hoje. A saída de Sergio Moro levou a moeda a bater novo recorde histórico, chegando a passar dos R$ 5,70 durante os negócios, enquanto o agora ex-ministro fazia seu último pronunciamento no cargo.

Em entrevista coletiva à imprensa em Brasília hoje, Moro admitiu condutas graves por parte de Bolsonaro para interferir na atuação da Polícia Federal.

Em seu pronunciamento de hoje (24), referente a saída de Sérgio Moro do seu cargo de ministro, Bolsonaro fez uma menção absurda ao assassinato de Marielle Franco. Em seu discurso, o presidente disse “ A PF de Sérgio Moro se preocupou mais com quem matou Marielle do que com quem tentou matar seu chefe supremo. Cobrei muito deles aí, interferi”.

“Boa parte das acusações feitas por Moro contra Bolsonaro, que em seu discurso de despedida deixou margem para entendimento de que o presidente cometeu crimes de responsabilidade, está amparada em material que, no limite, pode ser usado como prova documental”, informa o texto.

Segundo o jornal Valor Econômico, Sergio Moro grampeou Jair Bolsonaro e tem provas a apresentar sobre as acusações que fez contra ele em pronunciamento na manhã desta sexta (24).

Moro acusou Bolsonaro de querer interferir no comando da Polícia Federal - com a demissão do diretor-geral Maurício Valeixo - para obter informações sigilosas de investigações que envolvam sua família. Em coletiva à tarde, Bolsonaro negou e disse que moro só pensa em seu ego, não no País.

Segundo a reportagem, o ex-ministro da Justiça dispõe de uma série de mensagens de áudio e de texto trocadas com Jair Bolsonaro ao longo dos quase 14 meses em que participou do governo.

A saída conturbada de Moro do governo, já alimenta entre economistas preocupações sobre o futuro do ministro da Economia, Paulo Guedes, no governo Jair Bolsonaro. A avaliação é que a agenda econômica ortodoxa, que já estava perdendo força em meio à crise da pandemia do coronavírus, tende a ficar ainda mais de lado no governo diante de esforços do presidente para se reposicionar politicamente.

Antes mesmo da vitória de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, Guedes teve encontros com ex-juiz e foi um dos responsáveis por levá-lo ao governo, sondando-o a respeito da possibilidade de que assumisse a pasta da Justiça.

Enquanto Guedes era visto como o grande fiador de Bolsonaro junto ao mercado, com a promessa de promoção de uma agenda econômica liberal, Moro era considerado maior símbolo do compromisso do governo com o combate à corrupção.