Manaus: Saúde e funerárias em colapso; familiares tem de checar se corpos não foram trocados

30 de abril de 2020 | _
O devastador cenário de calamidade e a imensa tragédia humana que o capitalismo está criando em meio ao cenário da pandemia do coronavírus é aterrador. No cemitério Tarumã, em Manaus, vemos cenas fortíssimas dessa tragédia alentada pelos governos.

A quantidade de corpos é tamanha que os familiares temem que sejam trocados os cadáveres de seus familiares, e estão descumprindo a orientação de saúde de que os que morrem por COVID-19 fiquem isolados para evitar contágio. Assim, os familiares estão abrindo os caixões para conferir se estão realmente enterrando seus parentes.

A imensa fileira de caixões, com uma precária identificação feita por meio de um papel colado neles, aguarda sua vez de ir para a vala comum que foi preparada para receber as vítimas da pandemia e do descaso dos governos. O aumento nas mortes foi de 300% no sistema funerário de Manaus, que, como os hospitais, está totalmente sobrecarregado. Os corpos chegam a ficar tanto tempo aguardando para serem enterrados que começam a se decompor, exalando o cheiro de podridão que atrai os urubus que sobrevoam as valas. São 150 sepultamentos por dia, e as câmaras frigoríficas dos hospitais e cemitérios já não dão mais conta.