Morte de miliciano é motivo de acusações entre governador e presidente Bolsonaro

16 de fevereiro de 2020 | _
O presidente Jair Bolsonaro atacou o governador da Bahia, Rui Costa (PT), e culpou a Polícia Militar do Estado pela morte do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega. “Quem é o responsável pela morte do capitão Adriano? PM da Bahia, do PT”, afirmou o presidente em evento realizado no Rio de Janeiro neste sábado (15.fev.2020).

Bolsonaro foi ao Rio para participar do megaevento da Igreja Internacional da Graça de Deus, em Botafogo, na zona sul da cidade. Estiveram com o presidente o juiz Marcelo Bretas, o senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ), e os ministros Augusto Heleno (Segurança Institucional) e Tarcisio Freitas (Infraestrutura), além do prefeito carioca, Marcelo Crivella (Republicanos).

Adriano da Nóbrega morreu no último domingo (9.fev) durante operação policial que o encontrou em 1 sítio no município de Esplanada (BA). A Secretaria da Segurança Pública baiana alega que ele foi morto por 2 disparos efetuados pelos policiais porque Adriano reagiu ao ser enquadrado. Ele era apontado como chefe da milícia “Escritório do Crime”, investigado no inquérito que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O governador da Bahia reagiu às declarações de Bolsonaro. Nas redes sociais, Rui Costa afirmou que o governo de seu Estado “não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça“. Leia a íntegra do posicionamento de Rui Costa (16 KB).

A declaração faz referência à condecoração oferecida em 2005 a Adriano da Nóbrega pelo filho mais velho do presidente, o senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ), na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

“A Bahia luta contra e não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem“, escreveu o petista.

Rui Costa disse que a polícia baiana tem como determinação cumprir ordem judicial e prender criminosos com vida. Fez uma ressalva em defesa de valores familiares, e acusou o presidente e sua família de manterem laços com o que chamou de “marginais“.