Janot foi armado a sessão do STF para matar o ministro Gilmar Mendes

27 de setembro de 2019 | _
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo (2013-2017), chegou a ir armado a uma sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes.

“Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar”, afirmou Janot em entrevista publicada nesta quinta (26) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o ex-procurador-geral, logo depois de ele apresentar uma exceção de suspeição contra Gilmar Mendes, em 8 de maio de 2017, o ministro espalhou “uma história mentirosa” sobre sua filha. “E isso me tirou do sério”, disse.

O pedido de suspeição contra Gilmar Mendes foi feito no âmbito de uma análise de 1 habeas corpus de Eike Batista, com o argumento de que a mulher do ministro, Guiomar Mendes, atuava no escritório Sérgio Bermudes, que advogava para o empresário.

Ao se defender em ofício à então presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, Gilmar afirmou que a filha de Janot –Letícia Ladeira Monteiro de Barros– advogava para a empreiteira OAS em processo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Segundo o ministro, a filha do ex-PGR poderia na época “ser credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato”.

“Foi logo depois que eu apresentei a ação (…) de suspeição dele no caso do Eike. Aí ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal… e aí eu saí do sério”, afirmou o ex-procurador-geral.

JANOT: ‘FOI A MÃO DE DEUS’
O episódio também é mencionado no livro ‘Nada menos que tudo: Bastidores da Operação que Colocou o Sistema Político em Cheque’, escrito pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin com base em relatos do ex-procurador-geral da República após ele deixar o cargo, em 2017.

No entanto, Janot disse que narrou a cena “sem dar nome aos bois”.

Segundo ele, no dia, foi ao Supremo armado, antes da sessão, e encontrou com Gilmar na antessala do cafezinho da Corte. “Ele estava sozinho”, disse. “Mas foi a mão de Deus. Foi a mão de Deus”, repetiu o procurador ao justificar por que não concretizou a intenção.

“Cheguei a entrar no Supremo”, afirmou. “Ele estava na sala, na entrada da sala de sessão. Eu vi, olhei, e aí veio uma ‘mão’ mesmo”, continuou.

O ex-procurador-geral disse que estava se sentindo mal e que pediu ao vice-procurador-geral da República para substituí-lo na sessão do Supremo.

O ex-procurador-geral da República diz que sua relação com Gilmar já não era boa até esse episódio, mas depois cortou contatos. “Eu sou 1 sujeito que não se incomoda de apanhar. Pode me bater à vontade… Eu tenho uma filha, se você for pai…”, afirmou.

Procurado, Gilmar Mendes ainda não se pronunciou.