Senado pede cabeça de Gilmar Mendes em troca do engavetamento da Lava Toga nas cortes superiores

25 de março de 2019 | _
O impasse no Senado sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Cortes Superiores - a chamada CPI da Lava-Toga - pode fazer com que essa artilharia se volte contra o ministro Gilmar Mendes, que tem personificado as críticas de parlamentares ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação é do Valor, que afirma haver nos bastidores, senadores que apoiaram a criação da CPI falam em trocá-la pela abertura de um pedido de impeachment de Gilmar, como forma de "compensação". Ainda 2º o Valor, outros mais, cogitam limitar as investigações da comissão de inquérito aos excessos que teriam sido praticados especificamente pelo magistrado, em uma espécie de "CPI do Gilmar Mendes".

O pedido de impeachment protocolado há alguns dias é um caudaloso documento de 150 páginas, contra o ministro, acusado de uma série de ilegalidades desde sua nomeação à Suprema Corte, em 2002.

A matéria ainda mostra que Mendes trabalhou para favorecer interesses do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do qual o ministro é sócio-fundador. O ministro obteve polposos empréstimo supostamente ilegal junto ao Banco do Brasil para o IDP.

A principal acusação se refere a empréstimos obtidos pelo IDP no total de R$ 36,4 milhões do Banco Bradesco.

Durante o período, o banco aceitou prorrogar cobranças, reduzir taxas e renunciou a R$ 2,2 milhões de juros - sempre segundo o pedido de CPI.

Desde que o IDP pediu o primeiro empréstimo, em 2011, Mendes atuou em cerca de 120 decisões envolvendo o Bradesco - dados do STF. Sendo que o relator de dois dos cinco recursos que resolverão a disputa entre poupadores e bancos sobre os planos econômicos do fim da década de 1980 e início da década de 1990. A disputa envolve quantias que variam entre R$ 20 bilhões a R$ 100 bilhões.