Pagamento da Vale por Brumadinho provoca brigas em famílias pelo dinheiro

14 de fevereiro de 2019 | _
O rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, que tirou centenas de vidas em Brumadinho e causou um prejuízo socioeconômico de dimensões ainda incalculáveis, foi apenas o estopim para mais um infortúnio se abater sobre diversas famílias atingidas. Depois do primeiro baque, o dinheiro se tornou motivo de mais uma ruptura: a de laços familiares. Oferecida pela Vale a parentes de mortos e desaparecidos para reparar minimamente a catástrofe, a quantia de R$ 100 mil por vítima tem motivado a fragmentação de diversos núcleos familiares, tornando-se motivo de briga entre cônjuges, companheiros, irmãos, filhos e pais que disputam o auxílio financeiro.

A batalha não é regra, mas, em alguns núcleos, crianças que sofrem a perda do pai ou da mãe estão sendo submetidas a algo ainda mais cruel. Tendo direito a esse primeiro montante e sendo herdeiras de uma indenização que está por vir, a guarda delas se tornou centro de disputa. E, em meio à dor e aos conflitos, advogados de diversas partes do país desembarcam na cidade distribuindo cartões até em velório. A Defensoria Pública de Minas Gerais está de olho nos abusos e aguarda o encerramento das buscas para regulamentar as situações.

São inúmeros casos de disputas. Entre eles, os de ex-mulheres e ex-maridos que estão voltando para casa e requerendo direito aos R$ 100 mil. O retorno repentino tenta tirar de cena pais e mães com quem os antigos cônjuges, vítimas da tragédia, passaram a morar depois da separação. O caso se agrava ainda mais quando a pessoa que morreu ou está desaparecida vivia com um companheiro, sem ter formalizado um segundo casamento ou união estável. Sem contar os relacionamentos duplos. Continue lendo (aqui).