O governo Bolsonaro dará continuidade a política do ‘toma lá, dá cá?’

7 de dezembro de 2018 | _
Se o nome do deputado ao invés de "Baleia" fosse "Boto" seria um folclore acreditar que a velha e histórica política do toma, lá da cá mudou. A única verdade que disse é que realmente estamos vivendo um novo momento na política nacional, mas que onde houver a velha raposa, haverá também os velhos costumes.

“Estamos vivendo uma nova política. O MDB não reivindicou cargos, não tem pretensão de indicar ninguém no governo, mas tem a responsabilidade de debater uma agenda programática”, disse o líder do partido na Câmara, Baleia Rossi, ao sair da reunião de sua bancada com Jair Bolsonaro no CCBB. Parece piada, e tem tudo para ser.

Afinal, a temperatura e a pressão do Planalto não mudaram, muito menos os personagens. O MDB perdeu um “P”, mas ainda é aquele partido de Michel Temer, dileto amigo de Baleia Rossi, e tantos outros figurantes de inquéritos e denúncias que pipocam em todas as instâncias do Judiciário – sem contar outros que, como Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, andam presos por delitos cometidos em atividades políticas.

Seria muito bom acreditar que, eleito um novo presidente que prometeu acabar com o toma-lá-dá-cá, o MDB tenha se regenerado e se transformado num partido programático. Mas não dá. E quem diz que acredita, pode apostar, está fingindo.

Os políticos são os mesmos, eleitos sob o nosso anacrônico sistema eleitoral e partidário, organizados em torno dos interesses que sempre tiveram – aqueles que, dificilmente, serão os seus, os meus ou os da maior parte dos brasileiros.

O sistema político, partidário e eleitoral que trouxe e mantém esse pessoal em Brasília não mudou, ainda que tenha sido eleito um presidente da República com discurso contra a corrupção e a “velha” política. Bolsonaro, e os que o cercam, são tão fruto desse sistema quanto os demais. A “nova política” ainda não nasceu, lamentamos informar.