Se o presidente tuitou é notícia?

20 de novembro de 2018 | _
Especialistas comentam a atuação de políticos nas redes sociais. Atuação de Bolsonaro substituiu a campanha tradicional e anuncia nova forma de um governo se comunicar

Levará tempo para que se possa desvendar - e medir - o impacto do uso das redes sociais nas eleições brasileiras. Ao contrário dos Estados Unidos, onde grande parte da campanha foi feita em redes sociais rastreáveis como Facebook, Instagram e Twitter, no Brasil o protagonista foi o WhatsApp.

Por conta das mensagens criptografadas não há como dizer, neste momento, a dimensão da influência exercida pela rede social. E, apesar do cenário nebuloso há quem desenhe análises. “O que já sabemos é gravíssimo e não haverá volta atrás”, afirma o jornalista e doutor em Ciências Sociais Carlos Alves Müller em sua coluna no Instituto Palavra Aberta.

De fato, não há volta. O uso das redes sociais pela classe política não começou neste ano e não acabará com o fim da eleição. Os desafios para jornalistas - na linha de frente da comunicação e checagem de informações - e para a sociedade civil são antecipados por experiências de outros países.

O presidente eleito Jair Bolsonaro já afirmou diversas vezes se inspirar em Donald Trump, conhecido por postagens controversas nas redes sociais, criticadas até mesmo por seus advogados. Os dois presidentes seguem sem medo. Ao contrário de líderes anteriores, medem menos o impacto de suas palavras, dividindo apoiadores e críticos a cada postagem.

A rede social ganhou relevância entre os parlamentares após a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos, que usou o meio para se comunicar diretamente com seus seguidores, criando uma aura de transparência e conexão.

O grande trunfo de Obama em 2008 foi perceber o poder que o Twitter tinha como meio de comunicação. Nesse ponto, a teoria de Marshall McLuhan, intelectual da comunicação do século XX, nos ajuda a entender a estratégia. Sua célebre frase “O meio é mensagem” resume a ideia de que, para além do conteúdo, o canal utilizado carrega sozinho um significado.

Nesse sentido, mesmo que Obama e outros políticos não tivessem feito um único tuíte, estar naquele ambiente virtual já tinha peso. O Twitter era a plataforma utilizada por usuários para contar de maneira instantânea a seus amigos sobre atividades e pensamentos em um espaço, à época,  limitado a 140 caracteres.

A primeira política brasileira a seguir os passos de Obama foi Dilma Rousseff, que “abriu a porteira” para o Twitter.

O Bolsonaro chega mais ou menos nesse movimento de adesão. Ele abre a conta de 2010.

Se Jair Bolsonaro premeditou sua estreia, pouco importa. O presidente eleito é, hoje, um usuário bastante ativo no Twitter. Ainda assim, não é o campeão de seguidores. Assim como Trump, que fica atrás de seu antecessor, Bolsonaro tem aproximadamente 2,4 milhões de seguidores, enquanto Dilma permanece na liderança, com 6 milhões.

O pesquisador já coletou os dados da eleição deste ano, mas os resultados da pesquisa ainda não foram divulgados.

Carta Capital