Bolsonaro já assusta os trabalhadores e alegra classe empresarial com extinção do Ministério do Trabalho

9 de novembro de 2018 | _
Após um almoço com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, o recém-eleito presidente Jair Bolsonaro falou rapidamente à imprensa que “o Ministério do Trabalho vai ser incorporado a algum ministério”. Maiores detalhes não foram dados na rápida entrevista, e informações sobre a declaração, e os planos da reacionária chapa eleita ainda são preliminares.

O próprio Ministério divulgou uma nota reafirmando sua importância. Contudo a extinção do Ministério do Trabalho, e a subsequente redistribuição de suas pautas (dentre elas, toda uma rede de garantias de segurança ao trabalhador, além da fiscalização de práticas de trabalho abusivas ou análogas à escravidão) conformam uma pauta histórica do time de capitalistas e empresários escravistas que agora encabeçam - junto com o autoritarismo judiciário.

No que se trata de explorar os trabalhadores, será um golpe imenso aos direitos, especialmente dos mais pobres, que em muitos lugares do país serão forçados a trabalhar até morrer.

Com a reforma trabalhista, aprovado no ano passado, várias garantias são jogadas para negociação individual entre empregador e empregado; os sindicatos são enfraquecidos e o acesso à justiça do trabalho é tolhido. Além disso, aprovada a terceirização irrestrita, mesmo para o setor público, é aberto o caminho para a completa degradação do trabalho no serviço público, além do sofrimento de muitos profissionais legados à condição de terceirizado.

O fim do Ministério do Trabalho, junto com toda a deterioração das condições de emprego, em um país onde a ameaça do desemprego ou subemprego (que já atinge mais de 25 milhões de pessoas) assombram aqueles que conseguem se manter empregados, configuram um ataque frontal às condições de vida dos trabalhadores.

Nesse momento, é absolutamente crucial que as centrais construam uma luta de fato para que a classe trabalhadora possa se contrapor aos ataques vindouros, senão, não há maneira de resistência.