Polícia Federal identifica digitais e fatura de empregada no bunker com R$ 51 mi levam Geddel à prisão

8 de setembro de 2017 | _
Geddel Vieira, ex-ministro e amigo de Temer e importante cacique do PMDB voltou a ser preso

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara de Justiça de Brasília, narra em decisão (íntegra) que decretou a prisão de Geddel Vieira Lima que impressões digitais do ex-ministro e uma fatura em nome de funcionária de seu irmão, o deputado Lúcio Vieira Lima, foram encontradas no bunker com R$ 51 milhões.

“O dinheiro apreendido tem, certamente, origem ilícita, decorrente das atividades criminosas praticadas” por Geddel, afirma o juiz.

A Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-ministro na manhã desta 6ª feira (8.set.2017), em Salvador (BA). Geddel deve chegar por volta das 15h em Brasília, onde ficará detido.

Também foi detido Gustavo Ferraz, diretor da Defesa Civil de Salvador, que havia sido assessor de Geddel.

As prisões haviam sido pedidas pelo MPF (Ministério Público Federal) para evitar “a destruição de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos”.

Eis o trecho do despacho em que o juiz aponta provas que ligam o bunker a Geddel:

“Afirma, ainda, a existência de fortes indícios de que tal numerário ilícito pertence realmente a GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA, uma vez que no local foi encontrada uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, pessoa detentora de vínculos empregatícios com o Sr. LÚCIO VIEIRA LIMA, irmão de GEDDEL; além do fato de que SÍLVIO SILVEIRA (dono do apartamento onde a busca e apreensão foi realizada) ter informado que emprestou o imóvel ao referido irmão de GEDDEL, o que foi confirmado, também, pelas declarações de PATRÍCIA DOS SANTOS, administradora do Condomínio correspondente.”

OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA
Geddel é réu pelo crime de obstrução de Justiça. O Ministério Público afirma em denúncia (íntegra) que ele tentou atrapalhar a operação Cui Bono, que apura fraudes na Caixa Econômica Federal.

Geddel teria tentado impedir que o operador financeiro Lúcio Funaro firmasse acordo de delação premiada.

O ex-ministro foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco de 2011 a 2013, no governo Dilma Rousseff.

DENÚNCIA “IMPRESTÁVEL”

Os advogados de defesa de Geddel chamaram a denúncia do MPF de “imprestável”.