Operação combate atuação de facção criminosa e bloqueia contas de integrantes

12 de setembro de 2017 | _
Operação Consilium foi deflagrada nesta terça-feira, 12, em uma ação conjunta do MPRN com a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal

A operação Consilium tem por objetivo investigar o crime de constituir e integrar organização criminosa, previsto na Lei 12.850/2013. A apuração descortinou também uma série de crimes praticados pelos investigados, tais como homicídios, comércio ilegal de armas de fogo, tráfico de drogas, roubos, lavagem de dinheiro, falsificação de atestado médico, entre outros. Esses crimes serão devidamente apurados pelas autoridades competentes após o levantamento de sigilo e compartilhamento das provas.

Pelo que foi levantado pelo Ministério Público durante a investigação da operação Consilium, dezenas de pessoas promovem, constituem, integram e financiam a facção criminosa, que é estruturalmente ordenada com divisões de tarefas e que tem por objetivo obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza mediante a prática de crimes. Para isso, eles se utilizam de armas de fogo, buscam participação de adolescentes e fazem conexão a outras organizações criminosas.


Domínio territorial
A investigação mostrou que a manutenção de domínio territorial em áreas denominadas “quebradas” é de extrema importância para os negócios ilícitos da facção. Esse domínio não implica necessariamente impossibilidade de circulação de pessoas ou a entrada da polícia. A atividade de compra e venda de drogas não tem interesse na diminuição do fluxo de pessoas. Pelo contrário, a aparente normalidade é fundamental para manter e angariar novos clientes.

Mas esse domínio se expressa no emprego do poder da violência para imposição de monopólio do comércio de drogas, assassinando os concorrentes e inibindo eventuais interessados em se estabelecer e impondo a “lei do silêncio”, com o que se dificulta a ação do Estado na elucidação dos crimes.

O elenco de “normas de conduta” nessas comunidades visando conquistar a simpatia da população vem a ser uma etapa de um programa de propaganda, tentando se desvincular notadamente de furtos e roubos, crimes que, em verdade, são fortemente potencializados pela presença da facção, tanto pela ação de viciados, como por ações orquestradas pelas próprias “bocas de fumo”, cujos crimes de tráficos e furtos e roubos se intercalam, ou seja, uma atividade estimulando e financiando a outra.

Flagrantes
Além do cumprimento de mandados, a operação Consilium prendeu em flagrante criminosos que estavam foragidos da Justiça. As prisões aconteceram no bairro de Mãe Luíza, na zona Leste de Natal. Hitalo Augusto de Araújo foi preso na casa dele com um revólver calibre 38, drogas e dinheiro.

O outro preso em flagrante é Nildemberg Azevedo Wanderley, o Guiguia. Além de responder por diversos crimes, ele ficou conhecido pela crônica policial potiguar após, durante um assalto a uma padaria no bairro de Petrópolis, atirar contra uma cliente. Essa mulher ficou paraplégica depois de ser baleada na coluna vertebral. Nildemberg, que à época ainda não tinha 18 anos, foi apreendido e cumpriu as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Em julho do ano passado, ele fugiu da penitenciária estadual do Seridó e estava foragido desde então.