“Não fiz com eles o que eles fizeram com Dilma” Rodrigo Maia

29 de setembro de 2017 | _
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falou sobre sua atual relação com o PMDB, pretensões políticas e sua possível recondução à Presidência da Câmara, entre outros assuntos.

De acordo com o deputado presidente da câmara, que recebeu a equipe do jornal em sua casa, os boatos sobre a intenção de ocupar o Palácio do Planalto definitivamente, num ato de “traição” a Temer, à época da primeira denúncia, deu início à tensão entre PMDB e DEM, que perdura até hoje.

“Não fiz com eles o que eles fizeram com a Dilma. Talvez por isso essas mentiras criadas, para tentar criar um ambiente em que eu era o que não prestava e eles eram os que prestavam. Como eles fizeram desse jeito com a Dilma, talvez imaginassem que o padrão fosse esse. O meu padrão não é o mesmo daqueles que, em torno do presidente, comandaram o impeachment da presidente Dilma”, afirmou Maia ao jornal.

À equipe do jornal, Maia afirmou, sem meias palavras, que “se tivesse deixado o DEM sair com o PSDB, Michel tinha caído”, em referência à votação da primeira denúncia por corrupção passiva contra o presidente da República, analisada em agosto deste ano pela Câmara.

Braço direito e homem forte do governo Temer, Moreira Franco tem entrada livre na casa de Maia. Isso porque Patrícia, mulher de Maia, é filha do primeiro casamento de Clara Torres, mulher do ministro. A relação familiar também ajuda na manutenção da “paz” política. Segundo Maia, quando ele tem um problema com o governo é Moreira Franco quem aparece para “acalmar a relação”.

Na avaliação do presidente da Câmara, em 2018, a polarização PT-PSDB vai acabar, pois “o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve radicalizar o discurso à esquerda, e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), à direita, mas há uma demanda da sociedade pelo diálogo”, diz.

Durante a entrevista, Rodrigo Maia afirmou que ex-presidente da Câmara e hoje presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) o ajudou muito a se reintroduzir na roda do poder. Depois que assumiu o comando da Casa, Cunha deu espaços importantes ao democrata, como a presidência e a relatoria da reforma política costurada por Cunha, e de projeto que pretendia mudar a correção das contas de FGTS.

Ainda segundo Maia, o problema entre os dois começou quando Temer tornou-se presidente e Maia se tornaria líder do governo se não fosse intervenção de Cunha – já preso em Curitiba. “Aí eu me afastei dele.” 

O deputado carioca (Santiago, Chile), acabou, então, assumindo a Presidência da Câmara – cargo ao qual pretende ser reconduzido. 

“Estou bem com a base, com a oposição, estou bem com todo mundo. E não vai ter ministro meu porque eu não vou ser presidente”, concluiu.

Blog É Francisco Gomes com informações do Valor Econômico