Brasil perde milhões em com importações da máfia do etanol

1 de setembro de 2017 | _
CAMEX leva dias para publicar resolução, e favorecer esquema


A máfia dos importadores de etanol podre, à base de milho, aproveitou o atraso da Câmara de Comércio Exterior (Camex) na publicação da própria resolução, aprovada há 9 dias, para ingressar com novos pedidos de importação de quase meio bilhão de litros de álcool sem pagar impostos. Somente uma das distribuidoras pretende importar 400 milhões de litros.

A resolução fixou tarifa de 20% a partir dos 600 milhões de litros importados, mas a Camex se fingiu de morta até esta sexta-feira (1º), quando finalmente publicou sua decisão no Diário Oficial da União, dez dias depois da reunião que definiu a nova regra. Nesse período, a máfia do etanol tentou emplacar guias de importação para importar e inundar o Brasil com o produto americano.

A estimativa é que essa importação, se confirmada, provocará prejuízos ao Brasil de mais de R$160 milhões, segundo informa. o colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Importando etanol podre, com o Nordeste iniciando sua produção neste dia 1º, a máfia objetiva sufocar a concorrência e comprar suas usinas, exatamente com o fez com várias destilarias adquiridas na "bacia das almas" no Sudeste.

Produtores vão pedir à Polícia Federal e ao MPF para investigar a relação da máfia de importadores com a Camex, e também apurar o rombo provocado na receita tributária.

A suspeita é que navios de etanol podre já estão a caminho do Brasil, mesmo sem autorização de importação, para criar o “fato consumado”.