Os delírios de um golpista obstinado a ultrapassar limites

14 de agosto de 2017 | _
Vem ganhando corpo o debate sobre a eventual adoção do parlamentarismo como sistema de governo. Antes que se venha com o argumento de que o parlamentarismo já foi rejeitado duas vezes em plebiscito, em 1963 e 1993, e portanto o presidencialismo já estaria definitivamente consagrado em nosso País, é forçoso reconhecer que o Brasil já vive, há muito tempo, mas especialmente hoje, uma forma improvisada de parlamentarismo.

A jornalista Vera Rosa, hoje, no Estadão, dá conta do último delírio do Governo Temer:

Temer quer incentivar campanha em favor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para adotar o parlamentarismo no País, a partir de 2019, contendo uma “cláusula de transição” que permita instalar o novo sistema no fim do ano que vem.

A ideia de nomear um primeiro-ministro no segundo semestre de 2018, caso o Congresso aprove uma PEC mudando o regime de governo, tem sido discutida nos bastidores do Palácio do Planalto.

 Ancorada pela crise política, diante de um cenário marcado pelo desgaste dos grandes partidos e de seus pré-candidatos nas próximas eleições, a estratégia é bem aceita por dirigentes do PMDB, mas não há consenso no PSDB para a adoção no atual governo.

É obvio que se houvesse um mínimo de bom-senso no parlamento e se houver um pingo de vergonha no Judiciário, país algum mudaria a sua forma de governo durante o mesmo mandato e jamais sem um plebiscito que o autorizasse.

Plebiscito, aliás, que foi a forma do povo brasileiro rejeitar este sempre desejado arranjo parlamentarista, xodó de nossas elites.

Lógico que, ao que tudo indica, não vai prosperar.

Imagine dizer ao povo, a esta altura, que ele vai eleger um presidente “de brincadeirinha”, que não vai governar.

Mas, no Brasil de hoje, loucura nenhuma é tão grande que se possa ter certeza de que não se a ousará.