O Brasil após golpe: incertezas, crimes e eleições de 2018

21 de agosto de 2017 | _
O atual momento política brasileiro inspira cuidados. O Brasil vive desde o golpe de 2016, dias de horrores e imprevisíveis, tempos de enorme imponderabilidade . Nunca se sabe o que terá no noticiário da manhã, se uma batida numa boca de fumo, latrocínios ou operação da Polícia Federal em casa de bacana - empresário, político. Vivemos em meio denúncias e escândalos que se sucedem vertiginosamente, a Nação é desmanchada com incrível ferocidade e o Estado de Direito está sendo violentado até a morte por ataques contínuos à democracia.

A blindagem assegurada a Temer pela Câmara dos Deputados, com o objetivo de impedir seu julgamento pelo STF, é um marco da desfaçatez, do cinismo e da hipocrisia reinantes.

A hipótese de impedimento judicial da candidatura do ex-presidente Lula ganhou força nos últimos meses. A dúvida que faz com que este recall do golpe [Lula banido] seja feito, é saber se a exclusão ilegal dele da eleição causará a comoção popular que se supunha. A elite já aposta que isso não deverá ocorrer.

A eleição de 2018 sem Lula na urna eletrônica será uma eleição suja, manipulada; uma eleição com enorme déficit democrático. O governo eleito numa eleição como esta será um governo carente de legitimidade, que enfrentará instabilidade política e conflito social intenso.

A continuidade do desmanche selvagem do Brasil e o aprofundamento do pacto de dominação rentista-liberal é a opção de guerra da oligarquia dominante contra o povo brasileiro e o ideal de Nação.

O banimento político do Lula, neste sentido, é essencial para a concretização do plano da oligarquia golpista. A caravana do Lula pelo Brasil, iniciada em Salvador na quinta-feira 18, consagra o vínculo épico e mítico do maior personagem popular com seu povo – a classe dominante demonstra faro estratégico quando decide exterminar Lula.

Com Michel Temer no poder
A quantidade de homicídios disparou em todo o País; só neste ano, o Brasil já atingiu a marca dos 28,2 mil assassinatos  — homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte); são 155 assassinatos por dia, cerca de seis por hora nos Estados brasileiros, onde as características das mortes se repetem: ligada ao tráfico de drogas e tendo como vítimas jovens negros pobres da periferia executados com armas de fogo, além das dificuldades de investimento dos Estados na segurança pública, a violência também é resultado da lentidão para implementação de um plano federal para o setor.

Os dados são das secretarias estaduais de segurança pública.